Thiago de Moraes relata a importância do Museu e Memorial Nacional 17 de Março

Thiago de Moraes relata a importância do Museu e Memorial Nacional 17 de Março inaugurado por ele para a história da humanidade sobre pandemia do Coronavírus em âmbito mundial, expondo os dados a respeito do fato.

A importância de manter a história viva

Não é possível contemplar uma sociedade sem a preservação de sua história, tendo em vista que essa história valoriza as origens familiares, culturais, sociais, os hábitos, os costumes e as manifestações de um determinado grupo. A história pode ser de pessoas, de lugares, de objetos, de momentos. Pode ser individual ou coletiva. 

A manutenção da história e da memória faz parte da construção de toda e qualquer sociedade. Assim, a sociedade se estrutura com base nesse aspecto, vivendo a sua própria maneira, mas preservando a história, sua cultura, sua vivência, respeitando toda essa história.

Com a manutenção da história viva, torna-se possível divulgar, reviver, recontar momentos, relembrar pessoas, grupos, identidades, resgatar memórias e experiências.

Para ser possível manter a história viva, é necessário guardar relatos de quem viveu em determinada época, comprovados muitas vezes por documentos, fotografias, imagens, monumentos, objetos, arquivos, entre outros. 

Ter acesso aos instrumentos representativos das memórias e da história permite entender a sociedade contemporânea, suas origens, costumes, culturas, vivências. 

Por esse motivo, faz-se extremamente relevante guardar esses instrumentos que representam a história. Exemplos dos lugares onde a história pode ser preservada são os museus, os memoriais, monumentos, casas de culturas, entre outros. 

Esses lugares representam pessoas, vítimas, acontecimentos, momentos, grupos que fazem parte da história de um país, de uma nação, de uma sociedade. É por esse motivo que faz-se tão necessário manter a história viva. 

A manutenção da história viva permite a reflexão de situações, valorização de pessoas, lugares ou momentos, e permite eternizar na memória essas situações e pessoas.

Memorial e Museu 17 de março: porque 17 de março?

O Memorial e Museu Nacional 17 de março (https://memorial17demarco.com.br) pretende documentar informações relevantes à pandemia do Coronavírus em âmbito mundial, expondo dados a respeito das consequências do vírus em todos os âmbitos: político, jurídico, cultural, social, educacional, entre outros. 

A escolha do nome levou em consideração o início de uma história que ainda não teve fim: a primeira morte ocasionada pelo vírus no Brasil. Muito embora tenha o Plenário do Senado aprovado o “Dia Nacional em Homenagem às Vítimas da COVID-19 -Dia Nacional em Homenagem às Vítimas da Covid-19 será lembrado em 12 de março, data da primeira morte pela doença no Brasil. A relatora, Simone Tebet (MDB-MS), afirmou que o País não pode se esquecer das milhares de vítimas mortas e das que ficaram com sequelas – mas é IMPORTANTE  salientar que no dia 12 de Março do Calendário Sazonal é comemorado o Dia do Bibliotecário ainda que com pesar tenha ocorrido uma morte o dia 17/03 foi escolhida pelo registro pontual mas  ninguém será esquecido dentro do dilema de datas pois o nome do museu e memorial Nacional foi batizado com a data do dia 17 de março reiteramos que nenhuma vida perdida antes do dia 17/03 será esquecida.” A morte foi registrada no Estado de São Paulo,  no dia 17 de março de 2020, e a vítima era um homem com 62 anos, que possuía diabetes, hipertensão e hiperplasia prostática. Quando ocorreu a primeira morte no país, já haviam 301 casos do novo coronavírus confirmados no Brasil. 

O nome tem relevância, uma vez que o Memorial e Museu 17 de março têm o compromisso com a lembrança, recordação e a reminiscência daqueles que travaram uma guerra com um vírus fatal, pretendendo eternizar as vidas ceifadas pelo Coronavírus 19. 

Assim, o nome atribuído carrega grande carga valorativa, ao retratar a data da primeira morte por Coronavírus, representando todas as vítimas brasileiras que, a partir daí, tiveram suas vidas interrompidas pelo vírus fatal. 

A partir do dia 17 de março, o Brasil viveu momentos de tensão, tristeza, medo, insegurança, angústia.

Mulheres: a Primavera dos Museus 

A mulher, historicamente, ocupa um papel de desigualdade, submissão e exclusão, evidenciado tanto nos espaços privados, como nos espaços públicos. Isso porque à mulher sempre foi atribuído o papel de dona do lar, cuidadora da casa e da família, enquanto o homem era visto como o chefe do lar, que devia ter suas ordens obedecidas.

Os papéis atribuídos a elas, como a dedicação prioritária à vida doméstica e aos familiares, colaboraram para que a domesticidade feminina fosse vista como um traço natural e distintivo e também como um valor a partir do qual outros comportamentos seriam caracterizados como desvios.

Nesse contexto, a sociedade brasileira historicamente construída sob a égide de uma sociedade patriarcal, a qual se caracteriza pela preponderância da figura masculina em detrimento da feminina, restando a essa o papel de submissão.Os postulados do patriarcado defendem que a mulher é naturalmente inferior ao homem, constituindo um sistema, desde sua implantação, de rejeição às mulheres enquanto classe e sujeito social.  

A valorização da figura masculina em detrimento da feminina, baseada na diferença biológica entre os corpos, também em uma construção social fundada em relações de poder, estabeleceu os papéis que homens e mulheres poderiam exercer, reduzindo o sexo feminino às atividades de menor prestígio social, como o de cuidar da casa, dos afazeres domésticos e de educar os filhos.

Dessa maneira, para garantir a superioridade e a dominação imposta pelos homens, desde sempre as mulheres foram oprimidas e ocuparam um lugar de subalternidade nas sociedades ocidentais.

Em decorrência desse cenário de exclusão da mulher do meio social público e coletivo no Brasil, é evidente que a política, o Direito e o espaço urbano foram formados predominantemente por e para os homens, que tornaram as lutas das mulheres por emancipação e igualdade muito mais difíceis

Nesse sentido, levando em consideração essa realidade história, diversas políticas públicas, ações e projetos são construídos com a finalidade de descontruir esse papel historicamente atribuído à mulher. Nesse sentido, a cada ano, o Ibram  lança um tema diferente para nortear as atividades dos museus, com a finalidade de promover, divulgar e valorizar os museus brasileiros; aumentar o público visitante; e intensificar a relação dos museus com a sociedade.

A 5ª Primavera dos Museus teve como tema “Museus, mulheres e memórias”, e ocorreu entre 19 a 25 de setembro de 2011, contando com a participação de 574 museus, tendo sido realizadas 1.779 atividades durante esse período. Por Thiago de Moraes